Vamos falar hoje de um tema um pouco delicado, partindo do princípio de que precisamos continuar colaborando com a educação sobre ele: o vitimismo.
O vitimismo é muito presente nos ambientes corporativos e também no âmbito pessoal. Há alguns casos em que as pessoas agem desta forma, mas não se visualizam no papel de vítima. Vamos então pensar juntos sobre algumas situações e no quanto a postura vitimista pode impactar a carreira de forma individual e até mesmo de alguns membros de sua equipe.
Um trabalho foi realizado e não foi bem executado. A seguinte frase lhe parece familiar? “Ah, a culpa não é minha, a culpa é do outro!” – este é um claro exemplo de vitimismo. A pessoa pode dar uma lista (grande) de razões (ou desculpas) porque as coisas não dão ou não deram certo, mas não assume imediatamente sua responsabilidade no processo.
Muitas vezes, há também questões emocionais relacionadas. O momento pessoal pode e deve ser levado em consideração, mas levar o(a) profissional a entender o impacto de suas atitudes é de grande valor, tanto para o seu presente, como para seu futuro.
A pessoa que não é muito autoconfiante se sente impotente, não se sente confortável no ambiente profissional a que pertence, não costuma assumir erros e vê somente seu lado (“Eu fui perfeito naquilo que me propus a fazer”).
Duas outras características ressaltadas em várias publicações sobre vitimismo são: a falta de assertividade que alguns indivíduos apresentam e também, em alguns casos, a falta de confiança em colegas.
Deixar-se levar por este tipo de comportamento pode ser impactante ou até mesmo ser prejudicial ao se candidatar a uma nova oportunidade de trabalho, quando for solicitado a dar exemplos de experiências vividas e traços de vitimismo serem observados.
Em um treinamento que realizei há alguns anos nos Estados Unidos, o moderador nos perguntou: “quem aqui já se fez de vítima?” – parte da sala levantou a mão e parte não. Ao que ele respondeu: “um dia, todos nós já nos fizemos de vítima!”. Aquilo foi um choque, mas certamente nos fez refletir.
Para alguns de nós, que moramos em uma grande cidade, os horários de pico de trânsito são bastante conhecidos e fazem parte de nossas rotinas. Não sair com o tempo adequado para atender a uma reunião, encontrar um colega, atrasar para um almoço ou jantar e culpar o trânsito, também é se fazer de vítima. Tínhamos a informação da hora marcada, a previsão de distância, a estimativa de tempo de deslocamento (com a ajuda de apps) e, ainda assim, esta pessoa chega atrasada ao compromisso. Faltou planejamento (claro que exceções podem ocorrer, mas não podem ser a regra). Sem dizer que, se atrasar, além de não ser profissional, demonstra falta de respeito com o horário das outras pessoas e é bem deselegante.
Mais um exemplo. Quem já não ouviu: “ah sim, eu já mandei um e-mail para a pessoa X”. E minha pergunta, de volta, sempre foi: “E o que você fez na falta de resposta deste e-mail, por gentileza? Teria ligado para a pessoa responsável, cobrado uma ação, dado que podemos causar um atraso ou um prejuízo financeiro ou deixar outros esperando nosso posicionamento?”.
Como sempre digo às pessoas que trabalham comigo: sejam protagonistas! Tenham proatividade, busquem soluções, debatam temas relevantes e, quando algo não ocorrer da forma planejada, sejam maduros em também reanalisar o que houve, em um processo de melhoria futura.
As organizações precisam trabalhar uma cultura de reflexões, de oportunidades e de novas chances. A comunicação tem papel fundamental nas empresas e, em especial, quando alguns comportamentos são identificados. O feedback dos gestores é fundamental, e preferivelmente, o mais breve possível, com exemplos e proposta de ajuda.
Em resumo, não se faça de vítima, não se coloque em uma posição de vítima, traga soluções, seja pró-ativo, surpreenda as pessoas ao seu redor. Certamente sua imagem será fortalecida, você será bem lembrado, será convidado para novos projetos e no final, bem recomendado!