Confidentes no mundo corporativo

Crescemos no mundo profissional com pessoas ao nosso redor frequentemente ressaltando a importância de sermos produtivos, focados e de buscarmos resultados. No entanto, com menor frequência, também encontramos pessoas que nos dizem: “não compartilhem suas idéias”, “não criem relações próximas” (pois “elas podem atrapalhar”), “não compartilhem seus problemas ou sonhos”, “sejam fortes”, etc. Sugestões estas bem complexas e que exigem muito discernimento, em tempo e forma.

Hoje vamos falar sobre os confidentes no mundo corporativo (o famoso confidant em inglês). Parece simples? A prova é que esse tema já foi parte de treinamentos internacionais e de uma recente publicação muito conceituada, também internacional.

O primeiro exemplo: recentemente conclui um curso na Harvard Business pelo qual me apaixonei e no qual certamente aprendi muito. Um dos conselhos dados por um dos professores foi: tenha um confidente no âmbito profissional. A princípio, chamou minha atenção o tema presente, a relevância dada naquela disciplina sobre liderança. Aquilo me fez repensar muito, por mais lógico que possa parecer a mim e para algumas pessoas, e até parecer momentaneamente simples. Entretanto, a reflexão valeu muito a pena!

Confidentes são pessoas que estão por vezes fora do sistema central em que você trabalha, talvez fora de sua empresa, talvez parte de um outro círculo profissional ou de amizade. Eu gostaria aqui de motivá-lo(a) a descobrir essas pessoas ao seu redor – quem são, quem poderiam ser? Talvez elas já estejam presentes em sua vida e você não tenha olhado para elas desta forma: como confidentes. Alguém para quem possa contar uma história sem se preocupar com o uso absolutamente correto das palavras, de suas expressões de seus sentimentos, de suas informações, uma pessoa que não está ali avaliando ou julgando você, pessoas que não irão impactá-lo(a) necessariamente com seu problema, mas sim de forma positiva, como indivíduo. Ou os confidentes estão ali para que possam apenas ouvi-lo(a), entendê-lo(a) e ajudá-lo(a) a decidir sobre aquilo que de fato importa para você, para refletir conjuntamente sobre quais riscos você está pronto(a) para correr e eventualmente com quais perdas está disposto(a) a considerar.

A relevância do papel do confidente também foi exposta em um artigo recente da revista Forbes (“The Leadership Lens: 7 People You Need In Your Life” – numa tradução livre: “A lente da liderança: 7 pessoas que você precisa ter em sua vida”). Os autores afirmam que é “fácil” para os líderes reprimirem temas quando não têm pessoas por perto para confiar. Isso pode criar uma perspectiva míope e resultar em mentalidades prejudiciais à saúde e até em comportamentos tóxicos. Também ressaltam que, em vez de se isolarem, os líderes precisam encontrar pessoas confiáveis para agir como caixa de ressonância – para que possam compartilhar pensamentos íntimos, lutas e erros.

Nos últimos anos, também participei de outros treinamentos com a mesma linha de abordagem de confidentes, porém, com outras denominações, e hoje repenso que tinham a mesma finalidade, mesmo usando palavras distintas.

É muito importante, ao longo de nossa carreira, desenvolvermos nosso network, mas também é fundamental desenvolvermos relacionamentos mais duradouros e que também transmitam confiança, pois somos ou podemos ser os confidentes de outras pessoas.

Confidentes têm uma relação mais próxima e informal. Vale destacar que o conceito se difere totalmente de coaching, que é trabalhar em prol do desenvolvimento da empresa, gestores e colaboradores, através de técnicas que identificam pontos fortes, pontos de melhoria, necessidades e também fornecem orientações quanto a possíveis mudanças de comportamento, novas habilidades e objetivos. Coaching trata-se de um processo muito mais longo, formal e com métricas.

Além da confiança estabelecida de longo prazo, um confidente deve também estar aberto não somente a ouvir, mas a repensar junto com o profissional com quem está conversando.

Eu sempre digo: quando conversamos, nos ouvimos e, se nos ouvimos, nos ajudamos também a pensar e a termos bons insights. E você, tem alguém que pode considerar um confidente?

Jaqueline Escotero

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