Profissionais mulheres e a pandemia

Há alguns anos, tenho tido a oportunidade de ser convidada como palestrante ou moderadora de eventos focados em mulheres na liderança. Atualmente, na empresa em que trabalho, sou líder global de uma iniciativa focada nas mulheres – em seu desenvolvimento profissional e pessoal – voltada para mais de 22.000 funcionários. Vale lembrar que falar sobre mulheres não é um tema estritamente feminino.

Uma das perguntas que mais comumente recebo em eventos, webinars e pessoalmente é sobre como gerenciamos nossa vida e nossa carreira.

Não há resposta simples para essa pergunta. Por quê? Porque é uma resposta muito individual. Não há fórmula mágica, mas sim um entendimento interno de como você, mulher, está estruturada.

Há estruturas em que a mulher, se é também mãe, depende da escola para deixar seus filhos para poder trabalhar e, em alguns momentos, até mesmo para poder alimentá-los: uma situação ainda mais desafiadora neste momento de pandemia que vivemos. Muitas mulheres não têm filhos, mas acumulam outras responsabilidades, têm outros entes queridos para cuidar, sejam eles o pai, mãe, avós, tios, etc.

Tenho participado de videoconferências com mães segurando os filhos no colo, e seus filhos querendo “participar” das reuniões (colocando seus rostinhos lindos em frente à câmera), mães se desdobrando para fazer comida e também mães precisando colocar o bebê para dormir. Ainda assim, todas sempre em busca de manter o alto nível de comprometimento com seu trabalho, como se estivéssemos vivendo um momento “normal”, ou pré-pandemia.

Muitas profissionais não fazem home office, e têm um desafio ainda maior para lidar com esse gerenciamento. Buscaram e ainda buscam encontrar soluções diferentes neste momento e/ou contar com familiares, vizinhos ou cuidadoras. Todas são exemplos de mulheres guerreiras!

Vale destacar que as mulheres são também a maioria no enfrentamento da pandemia, seja no caso de profissionais de saúde, médicas, enfermeiras, ou como cuidadoras e tantas outras profissionais maravilhosas. Ter mulheres engajadas na prevenção e no tratamento da COVID-19 é fundamental. Temos também a expectativa de que mais mulheres possam ocupar posições de liderança e decisão na área de saúde.

Por isso, repito: a resposta do equilíbrio pessoal é muito individual. Você, mulher, lendo este artigo, recomendo que olhe para si mesma: profissional, mulher, esposa, tia, irmã, mãe, prima, amiga; reconheça em você tantas qualidades e se permita reconhecer como você também se sobressaiu frente a tantos desafios. Reconheça que, além do cansaço físico, você viveu e tem vivido experiências também maravilhosas, que nos fazem crescer e amadurecer. E lembre-se: você não está sozinha e certamente muitas pessoas ao seu redor (homens e mulheres) se inspiram em você.

Jaqueline Escotero.

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